Receitas, Sobremesas
comentários 10

Torta de açaí com banana

Mês passado tive a oportunidade de conhecer Belém, capital do Pará. Um dos motivos que me levou até lá, além da cultura, foi a culinária típica e genuína. Com forte influência indígena e totalmente baseada no que a Amazônia tem de melhor a oferecer, a culinária paraense é incrível em todos os aspectos, ingredientes, modo de preparo, forma de servir e consumir.

Posso dizer que tive uma grande experiência culinária. O ponto alto da viagem foi sem dúvida o mercado Ver-o-Peso, maior feira de alimentos ao ar livre da América Latina. De lá eu trouxe farinha de tapioca flocada, farinha de mandioca de Bragança (a melhor farinha que já comi!), pupunha, fruta pão, tucupi, castanha-do-pará, pimenta cumari-do-pará…na volta pra casa tinha mais comida do que roupa na mala hahaha.

Sem dúvida voltei bastante inspirado para se aventurar na cozinha com ingredientes típicos de lá. Minha primeira criação foi a torta de açaí com banana. No Sul e Sudeste o açaí geralmente é consumido como sorvete, bem cremoso e gelado, batido com outras frutas e extrato de guaraná, geralmente acompanhado de granola.

Já no Norte, sua terra natal, geralmente é consumido com pouca água e acompanhado de farinha de tapioca, no interior é servido acompanhado de peixe na refeição mesmo, sem adoçante. O ingrediente é o mesmo, mas a forma de consumo é completamente diferente, acho isso sensacional.

Para essa receita usei polpa de açaí congelada, vendida em supermercados na seção de congelados. Como ela já vem misturada com água, usei todo o conteúdo da embalagem (400 g), para ficar com sabor mais forte.

Para dar cremosidade usei castanha de caju não torrada (crua) e banana. Além de melhorar a textura, a banana quando bem madura (com pontinhos pretos na casca) também ajuda a adoçar. Nessa receita não usei açúcar, mas melado de cana para adoçar. Caso você não goste do sabor pode substituir por açúcar demerara a gosto.

Já para dar consistência usei ágar-ágar. Pra quem não conhece, é uma gelatina de origem vegetal de sabor neutro, obtida a partir de folhas desidratadas de algas marinhas. É possível encontrar em lojas de produtos naturais e de produtos japoneses e asiáticos.

Para dar um charme a mais decorei a torta com farinha de tapioca flocada que comprei em Belém. Ela parece um isopor, os grãos são bem aerados e macios, o sabor e a textura lembram a pipoca. No Pará geralmente é servida com açaí.

Você vai precisar…

Para a massa…
Farinha de aveia – 1 xícara (100 g)
Farinha de trigo integral – 1/3 xícara (45 g)
Melado de cana – 2 colher de chá (10 ml)
Água filtrada – 90 ml
Óleo vegetal (usei de girassol) – 1 colher de sopa (15 ml)

Para a cobertura…
Polpa de açaí descongelada – 400 ml (400 g)
Castanha de caju não torrada e sem sal – 1/2 xícara (70 g)
Banana madura – 2 pequenas (200 g)
Melado de cana – 3 colheres de sopa (45 ml)
Água – 1 xícara (250 ml) para demolha da castanha
Ágar-ágar – 1 colher de sopa (10 g)

Atenção, antes de fazer é necessário um pré-preparo…
Coloque as castanhas em um recipiente e adicione 1 xícara de água (250 ml). Deixe de molho por cerca de 4 a 8 horas. Este processo é importante para tirar os fitatos da castanha, um antinutriente que impede a absorção dos nutrientes. Além disso, as castanhas ficarão macias e fáceis de triturar com a demolha.

Como fazer…
1- Preaqueça o forno a 180 ºC.
2- Em um recipiente misture todos os ingredientes da massa até obter uma bola homogênea que desgrude do fundo. Se necessário adicione um pouco mais de farinha de trigo.
3- Transfira a massa para uma superfície lisa e enfarinhada. Abra com rolo de macarrão.
4- Prepare uma fôrma com 20 cm de diâmetro. Se você estiver usando uma com fundo removível/falso, unte com um pouco de óleo. Caso contrário, forre com papel manteiga para desenformar com facilidade depois.
5- Transfira a massa com cuidado, cobrindo o fundo e a lateral. Faça furos no fundo com um garfo para não formar bolhas de ar quando assar.
6- Leve ao forno preaquecido por cerca de 20 minutos, ou até dourar as bordas. Enquanto assa, prepare a cobertura.
7- Escorra e descarte a água da demolha das castanhas. Lave em água corrente e transfira para o liquidificador.
8- Descasque as bananas e corte em pedaços menores. Coloque no liquidificador e adicione a polpa de açaí e o melado. Bata bem até ficar homogêneo.
9- Adicione o ágar-ágar e bata novamente.
10- Transfira a mistura para uma panela e leve ao fogo médio. Após levantar fervura cozinhe por 3 minutos mexendo sempre para não queimar. Essa etapa é importante para ativar a gelatina vegetal.
11- Desligue o fogo e despeje a cobertura sobre a massa assada. Nivele o topo e espere amornar.
12- Leve à geladeira por cerca de 4 horas ou até firmar.
13- Desenforme e polvilhe com farinha de tapioca flocada (opcional). Sirva gelada.

  1. Cintia Moura says

    Delícia de torta, André. Sou do Pará. O que te levou a Belém? Vc vai adorar Marajó.
    Sempre passo aqui. Seu livro já está na estante da nossa cozinha 🙂
    Grande abraço.

    • André says

      Oi Cintia! Deve ser incrível mesmo Marajó, infelizmente não deu tempo pra eu visitar. Mas a próxima vez que for pro Pará quero ir lá. Fui pra conhecer a cidade e a culinária mesmo, viagem turística, acho o Pará muito rico em cultura, sempre tive a vontade de conhecer 😀 Abraços!

  2. Julienne says

    Estou encantada com a simplicidade e delicadeza do prato. Parabéns.

    • André says

      Oi Julienne! Fico feliz em saber que tenha gostado da receita 😀 Obrigado e abraços!

  3. Guaciara Freitas says

    André, sou muito grata por sua generosidade em compartilhar seu tempo e suas receitas. O encontrei quando descobri uma severa intolerância à lactose, depois chegou também a sensibilidade ao glúten (snif). Passei um tempo sem visitar o blog e quando retorno agora, me alegro com seu entusiasmo por Belém. Que bom que a lembrança mais marcante foi a dos bons gostos. Porém, como belenense super especialista em açaí preciso fazer uma retificação: não o consumimos como molho. De jeito nenhum meu caro! O açaí que tomamos tem a textura de um creme. Na capital (Belém), geralmente as pessoas o consomem como sobremesa, de preferência no final de semana, pois durante a semana o ritmo da vida não permite uma rede após a ingestão (risos). O açaí é adoçado e a ele se acrescenta a farinha de tapioca (ou a farinha de mandioca). Já nas cidades do interior nosso povo considera uma heresia adoçar o açaí. Nessas localidades a textura é ainda mais cremosa (açaí papa) e o consumo é feito com a refeição, como se fosse um substituto do carboidrato. Nesses casos o açaí vira acompanhamento indispensável, é consumido como se fosse o arroz, só que ao invés do básico arroz com feijão, o básico é açaí com peixe, açaí com camarão, açaí com charque. Espero que voltes e nesse retorno, podes me contatar para apoio em novas experiências gastronômicas e culturais.

    • André says

      Oi Guaciara! De nada! Espero que minhas receitas te ajude a superar essa intolerância e sensibilidade, não deve ser fácil. Adorei Belém e seus sabores, foi uma viagem inesquecível! Nossa, desculpa, já corrigi o texto com suas informações 😉 Nada como uma paraense para revelar os detalhes do açaí hehehe. Como via o açaí sempre acompanhado de peixe e farinha de tapioca achei que fosse tipo um molho/acompanhamento. Espero voltar mesmo para o Pará, desta vez quero conhecer a ilha de Marajó 😀 Obrigado pelas informações! Abraços!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *