Uncategorized
Deixe um comentário

Mão na massa

Cansado de comer sempre a mesma coisa a alguns anos atrás, comecei a perder o prazer de comer, não suportava mais aquela comida embalada, o pão com geleia no café da manhã, os almoços sempre no mesmo restaurante, e o miojo feito por mim nos finais de semana. Eu comia com o simples objetivo de matar a fome nas horas preestabelecidas pela rotina. Com o passar do tempo não aguentei mais isso, a solução era óbvia, mas demorei pra enxergá-la, era hora de pôr a mão na massa e aprender a cozinhar.

Desde criança eu gostava de inventar coisas, cada dia era uma nova ideia, mas ao deixar a infância achei que esse meu lado de “inventor” tinha desaparecido. Foi na cozinha que percebi que essa parte de mim não tinha morrido, só estava oprimido no meio da nova fase turbulenta da minha vida, no qual eu tinha mudado para outra cidade e ido morar sozinho pra fazer faculdade.

Além de não aguentar mais de comer a mesma comida, outro fato que me levou a pôr a mão na massa foi o fato de eu ter me tornado vegetariano logo após a mudança de cidade. O fato é que a cozinha, antes um ambiente frequentado só na hora em que a fome surgia, se tornou o meu laboratório de experiências por assim dizer, agora frequentado constantemente.

Cozinhar é como voltar a ser criança, e isso me faz bem, é uma terapia cozinhar. Já ouviu falar em cozinhaterapia? Pois bem, se não, cozinhaterapia é o ato de cozinhar com descontração, tornando esse momento prazeroso, quando estou cansado da rotina vou pra cozinha inventar algo, ou refazer um prato já inventado e bem-sucedido.

No meio das experiências é comum surgir alguns imprevistos, como a pasta de berinjela que eu fiz algum tempo atrás e ficou horrível, me perdi no tempero e infelizmente foi direto pro lixo. Quando não me sinto confiante a experimentar combinações diferentes de ingredientes, vasculho a internet atrás de receitas prontas.

Aprendi a me concentrar mais cozinhando, se você se dispersa facilmente, cozinhar é um ótimo exercício para desenvolver essa habilidade, afinal, uma refeição saborosa é um grande incentivo para se manter atento. Além disso, a intuição também é desenvolvida, provando os ingredientes separados e depois juntos, você começa a perceber o que combina e o que não combina.

Aos poucos fui descobrindo novos ingredientes, temperos, aromas, texturas e sabores que jamais teria experimentados se eu não estivesse na cozinha. Creio que aprender a cozinhar vai além da necessidade de matar a fome, cozinhar é se desafiar, é deixar o seu lado criativo te guiar, é aumentar a sua confiança, intuição e concentração.

Depois de fazer aquela bagunça na cozinha, não há nada mais gratificante do que os elogios dos amigos e familiares ao experimentar seus quitutes, e poder dizer com muito orgulho “foi eu que fiz”. Então que tal olhar de um jeito diferente pra cozinha, e deixar de cozinhar por obrigação e passar a fazer por prazer. Afinal, pôr a mão na massa é descobrir novos sabores e sensações.

BOM APETITE!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *